Feridas, boca seca, dor para mastigar, gosto diferente na comida. Durante o tratamento oncológico, a boca costuma ser uma das primeiras a sentir, e muita gente acha que isso é inevitável. A cirurgiã-dentista Dra. Nayara Pereira explica que boa parte desses incômodos pode ser prevenida ou aliviada com cuidado e acompanhamento.
O motivo é parecido com o de outros efeitos colaterais: a quimioterapia e a radioterapia agem em células que se renovam rápido, e as da mucosa da boca estão entre elas. Por isso podem aparecer feridas (a chamada mucosite), ressecamento, sensibilidade e mais facilidade para infecções, principalmente quando a imunidade está baixa.
O ideal é que a avaliação com o dentista aconteça antes de o tratamento começar. Cáries, gengivite e outros problemas que já existem tendem a piorar durante o tratamento, e resolver isso antes diminui o risco de complicações.
No dia a dia, a higiene continua sendo o pilar: escovação delicada, com escova macia, fio dental quando orientado e atenção redobrada com a limpeza da boca depois das refeições. Para a boca seca, beber água com frequência ajuda, e a equipe pode indicar produtos específicos. Alimentos muito ácidos, apimentados ou quentes costumam incomodar quando há feridas.
Alguns sinais merecem avaliação rápida: feridas que não melhoram, dor que dificulta comer ou engolir, manchas brancas na boca, sangramento ou febre. Quanto antes a equipe souber, mais fácil é ajustar o cuidado.
Conteúdo produzido por: Dra. Nayara Pereira — Cirurgiã-Dentista.