Fausto Scandiuzzi, professor de educação física formado pela USP, com especialização em exercício físico em oncologia pelo Hospital AC Camargo (referência nacional), explica o que é a fadiga oncológica e por que o movimento — não o repouso — é o que realmente ajuda a combatê-la.
Ele começa com uma definição direta: fadiga oncológica não é simplesmente cansaço, é uma exaustão que rouba a qualidade de vida. Diferente do cansaço do dia a dia, que passa com uma boa noite de sono, essa fadiga é física, emocional e psicológica ao mesmo tempo — e o repouso total, ao contrário do que parece intuitivo, não resolve.
Entre as principais causas estão o próprio tratamento (quimioterapia e radioterapia podem causar anemia e alterações no sistema imunológico), a perda de massa muscular (por ficar menos ativo durante o tratamento), o estresse emocional e a insônia (ligados a mudanças hormonais), e o sedentarismo. Os sintomas incluem cansaço físico extremo, falta de ar com mínimos esforços, sensação de corpo pesado, dificuldade de concentração e sono não reparador.
Fausto reforça que a atividade física — mesmo em intensidade leve — costuma ser mais indicada do que exercícios moderados, dependendo do quadro do paciente, e que quanto mais informação a pessoa fornece ao profissional, melhor o acompanhamento.
Ele também é claro sobre quando o exercício deve ser pausado ou limitado: febre ou infecção ativa (o corpo precisa focar toda energia no combate à infecção), vômitos ou diarreia intensa, dores fortes no peito ou dificuldade de respirar (sinais que precisam de investigação médica imediata), e anemia grave ou plaquetas muito baixas (que aumentam o risco de sangramento ou fraturas em atividades como caminhada e corrida). Em todos esses casos, a orientação é consultar o oncologista antes de retomar ou ajustar a rotina de exercícios.
A aula termina com uma frase de Kathryn Schmitz, PhD e pesquisadora líder do American College of Sports Medicine, de um estudo de 2019: “O exercício é o melhor remédio, e para sobreviventes do câncer é parte crítica de sua recuperação e saúde para toda a vida.” Fausto reforça o convite: dê o primeiro passo dentro do seu tratamento, adquira ou mantenha uma rotina de exercícios — na intensidade certa para o seu momento — porque isso aumenta as chances de sucesso e de sobrevida.
Conteúdo produzido por: Fausto Scandiuzzi — Professor de Educação Física, especialista em Exercício Físico em Oncologia.